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Arquivo da categoria ‘Prosa’

BATALHA NO CARIBE

Brilhavam sobre o oceano umas poucas estrelas. Um galeão espanhol solitário, o Santa Marta, singrava rumo a Sevilha. Deixara Vera Cruz, na Nova Espanha, no início daquela manhã, abarrotado de ouro. Na penumbra daquela noite sem luar, as luzes do navio pareciam o único sinal de vida no mar sem fim. Um grumete, do alto [...]

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ESPERAS

Com um gesto vacilante, distraído, o homem depositou a xícara sobre a mesa. Por mais que se esforçasse, não conseguia desviar seus olhos da moça sentada no banco logo à sua frente. Não notara-lhe a chegada. Absorto na leitura do jornal, foi apenas quando terminou o primeiro café e acenou novamente para o garçom que [...]

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O VELHO DA MONTANHA

Durante os anos críticos da infância e da juventude, o garoto ouvira prodígios sobre um sábio velhíssimo, que vivia inacessível no cume da grande montanha a leste da cidade. Em todas as discussões, o argumento definitivo era sempre a seu juízo; diante das maiores dificuldades, sempre se erguia a sua lembrança. Nunca era mencionado sem [...]

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CÍRCULOS

A Marquesa de Palais-Mason caminhava pelo jardim, abstraída, aproveitando o frescor da noite. Fazia um calor sufocante, apesar de ainda ser abril, e o baile da Duquesa de Provença fervilhava de trôpegos nobres angustiados naqueles dias de 1849. Sangue novo e velho, fortunas reais e imaginárias, tudo se misturava em meio às toaletes apuradas e [...]

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CÉTICO

Nunca acreditei nessas bobagens de religião. Sempre fui um ateu convicto. Minha única fé, digamos assim. Não fazia o menor sentido imaginar um ancião de barbas brancas, sentado numa nuvem, governando os destinos dos homens como quem brinca com bonecos. Desde pequeno, chocava minhas tias, solteironas beatas que chegaram a pensar que eu era um [...]

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Isabel juntou os cardápios e colocou-os numa mesa lateral. No salão agora vazio, ainda lhe parecia ouvir a costumeira algazarra de vozes, acompanhada daquele forte e bom odor de café, com o qual se acostumara havia quase oito anos. Não havia muito a fazer nas mesas; mas, como o Davi tinha ido embora mais cedo, [...]

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A garçonete colocou os cardápios sobre a mesa. Sempre vaidosa, Raquel logo se pôs a ajeitar os cabelos. Se as marcas do tempo, implacáveis, denunciavam em seu rosto e suas mãos os setenta anos já vividos, seus olhos entretanto guardavam um brilho jovial, que um sorriso radiante complementava naquela tarde. Na elegante simplicidade de um [...]

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A garçonete colocou os cardápios sobre a mesa. Mais uma vez, seus olhos encontraram os de Rodrigo. Após um instante de vacilação, a moça baixou de leve a cabeça e voltou para o balcão. Aquela devoção muda inspirava o rapaz. Passava por aquele café, todos os dias, no fim da tarde; vinha caminhando de seu [...]

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A garçonete colocou os cardápios sobre a mesa. Adriana acompanhou com impaciência seus passos a se afastarem. Voltou-se então para Leon, com os olhos em brasas. Este já aproximara sua cadeira, e colocara uma sôfrega mão sob sua saia. Rindo, a moça o reteve: __ Calminha aí, rapaz… Olhe onde estamos… __ No mesmo café, [...]

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LETTERS FROM ENGLAND

Aos bravos parceiros-leitores, umas tantas desculpas. Estou em viagem, e sequer tive tempo de deixar por aqui um aviso… Neste mes de julho e pouco provavel que algo de novo passe por estas paginas; mas em agosto estaremos de volta, encerrando o ciclo das mesas de cafe, partilhando as memorias de um nonagenario simpaticissimo, comecando [...]

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