Que se imponha o prazer, que impere o desejo!
Que o viver seja um triunfo absoluto de gozos e vontades
Saciadas e inflamadas (sem exaurir-se jamais) por algum generoso demônio,
Pleno de misericórdia para com nossa torpe humanidade
Que se abandone a culpa como quem lança de si um fardo
Que se idolatre o pecado em suas formas mais imundas
- gula, avareza, lascívia, vaidade, inveja, estupor -
Restando à ilusão do Próximo tão-somente as paixões iracundas
Que a Morte se imponha sobre a Vida!
Que lançadas sejam às chamas as derradeiras quimeras
Rompidos os tênues laços com a bestialidade reprimida…
Mas por poucos instantes essa ilusão perdura;
Logo o devaneio se dissipa, e se enrijece a certeza
Do quanto a consciência é o limiar da loucura…
Leandro Gonsales Ciccone
26 de junho de 2010
Belíssimo texto e profunda reflexão que desperta a imaginação sem fronteiras de todos nós que temos o prazer de nos depararmos com ele.
E eu me pergunto: por onde andarão os textos do mês de Julho?
Bom resto de recesso escolar pra ti.
Um beijo,
Jú.
Leandro,
Envergonho-me de não ter lido seus textos por meses (ou talvez anos); mas mais do que vergonha, sinto também tristeza, pois me privei do contato com literatura de suprema qualidade. Frequentarei este espaço virtual com mais assiduidade nos meses vindouros.
Desvirtuando por completo o sentido do comentário, quero comunicar que é alarmante a desproporção entre homens e mulheres lendo seu blog. Parece que homens não se interessam por literatura; eu fui o primeiro a comentar aqui em meses. É preciso difundir seu espaço de criação literária também no universo masculino, afinal, opiniões diversas são sempre engrandecedoras.
Abraços
Rodolfo
Então, nada podemos fazer além de aguardar que este poeta-narrador tenha algum tempo sobrando (o que deve ser raro, afinal, só quem é professor sabe quão árdua e deliciosa experiência é lecionar e transmitir o Conhecimento, certo? ^^) e nos presenteie com mais obras-primas, certo?
Andei pensando sobre minha ”teoria”(se é que assim posso chamá-la) e acredito que semana que vem terei mais argumentos para endossar nosso rápido debate. Consumidora de dogmas.. assim que me senti com a sua conclusão. E não, definitivamente não foi isso o que quis dizer. Mas enfim.. isto tudo no momento apropriado, ou seja: no próximo capítulo, como diria você
Um bom fim-de-semana e até breve.
Um beijo,
Jú.
Leandro,
adorei o ritmo da poesia, acompanha o bem o leitor: dá-lhe tempo de querer ser dissoluto, até que chega o final e a consciência o traz de volta.
Muito bom de ler, parabéns mais uma vez.
Saudades, Fernandinha